Após quase quatro anos de domínio incontestável, a Starlink, projeto de satélites da SpaceX de Elon Musk, vê seu monopólio no mercado brasileiro de internet via satélite ameaçado. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) concedeu autorização para a operação da empresa chinesa SpaceSail, conhecida na China como Qianfan, marcando uma virada significativa no cenário de conectividade do país.
A entrada da SpaceSail, autorizada a operar inicialmente até 324 satélites até julho de 2031, promete não apenas ampliar a oferta de banda larga de alta velocidade em regiões remotas, mas também intensificar a competição. A companhia chinesa planeja iniciar suas atividades comerciais no Brasil no quarto trimestre de 2026, alinhando-se com a entrada em funcionamento de sua constelação de satélites na China. Atualmente, a Starlink oferece planos de uso pessoal a partir de R$ 236 e equipamentos que variam de R$ 1.000 (Antena Starlink Mini) a R$ 2.400 (Antena Starlink V4).
A chegada de uma nova operadora com uma constelação de órbita baixa (LEO) é vista como um catalisador para a redução dos custos de instalação e mensalidades, beneficiando o consumidor final. Além do impacto comercial, essa nova infraestrutura garante uma alternativa robusta para o governo e empresas privadas em situações de instabilidade ou falha técnica na rede. A SpaceSail ambiciona expandir sua rede para mais de 15 mil satélites até 2030, mirando também em outros países da América Latina, como Peru, Bolívia e Paraguai.
O dinamismo do setor pode ser ainda maior, pois a Amazon, por meio do Project Kuiper, também demonstra interesse no mercado brasileiro. Embora a big tech já possua mais de 3 mil satélites globais, ela ainda está em processo de adequação regulatória para ingressar no país. A Anatel, por sua vez, estabelece normas rigorosas para a coordenação de frequências, garantindo que os novos satélites não interfiram em serviços de radiocomunicação existentes ou em outras operadoras.
Fonte: TECNOLOGIA – Money Times