Em um movimento que promete reacender as discussões internas no clã Bolsonaro, a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE), figura central na recente crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), anunciou formalmente seu apoio ao pré-candidato à Presidência da República. A declaração, veiculada nas redes sociais na última quarta-feira (1º), foi acompanhada de uma fotografia ao lado do senador, solidificando sua posição em meio a um cenário político já conturbado.
A manifestação de apoio de Priscila Costa não passou despercebida. Em sua publicação, a vereadora destacou que “fidelidade e compromisso é o que o Brasil e o Ceará merecem”, reafirmando sua defesa pela candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Este gesto ocorre em um contexto de intensa movimentação política, marcado pela recente reunião de Flávio com importantes lideranças femininas do Partido Liberal e da direita, evento que congregou mais de 50 parlamentares, incluindo deputadas federais, estaduais e vereadoras do PL.
A ausência de Michelle Bolsonaro no evento com as lideranças femininas, no entanto, foi notória e adiciona mais um capítulo à narrativa de tensão. Michelle havia deixado a presidência do PL Mulher na terça-feira (30), alegando a necessidade de dedicar-se integralmente aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Poucas horas antes de seu anúncio de apoio a Flávio, Priscila Costa havia compartilhado outra foto ao lado de Michelle, enaltecendo suas qualidades de “CORAGEM, LEALDADE E FÉ”, e expressando gratidão pela oportunidade de ter servido sob sua liderança como vice-presidente nacional do PL Mulher.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, agiu rapidamente em resposta à saída de Michelle. Na mesma quarta-feira, extinguiu o comando nacional do PL Mulher. Em declaração à CNN, Costa Neto justificou a decisão pela ausência de nomes qualificados dentro do partido para substituir a ex-primeira-dama. Com esta reestruturação, a legenda passará a focar nos diretórios femininos estaduais, estrutura que foi, paradoxalmente, implementada pela própria Michelle Bolsonaro.
A origem do desentendimento que colocou Priscila Costa no epicentro da discórdia familiar remonta a divergências sobre acordos políticos no Ceará. Fontes indicam que dois nomes fortemente defendidos por Michelle para a chapa eleitoral, Eduardo Girão (Novo) para o governo e a própria Priscila Costa (PL) para o Senado, teriam sido preteridos tanto pelo PL quanto por Flávio Bolsonaro, em um acordo que envolvia o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará. Essa decisão gerou um vídeo de 26 minutos de Michelle, onde ela detalhava a negociação e, segundo relatos, acusava o enteado de mau-trato. Posteriormente, ela buscou mitigar a situação, negando a briga e buscando esclarecimentos. Flávio, por sua vez, também tem buscado atenuar as tensões, reiterando o convite a Michelle para a “união de forças”, enfatizando que “o diálogo, o respeito e a união serão sempre o melhor caminho”.
Fonte: *Google Trends*