A capital ucraniana, Kyiv, foi palco do maior ataque registrado desde que a Rússia iniciou sua invasão em larga escala ao país há mais de quatro anos. Durante a noite de quinta-feira, uma série de explosões violentas ecoou pela cidade por horas, forçando milhares de moradores a buscar abrigo em estações de metrô e outros refúgios após alertas do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy e de outras autoridades. O Serviço Estadual de Emergência confirmou a morte de pelo menos 17 pessoas na capital, em um balanço ainda preliminar.
O ataque massivo, que envolveu 74 mísseis e 496 drones, incluindo mísseis balísticos e de cruzeiro, conforme relatado pela Força Aérea da Ucrânia, causou danos generalizados. Tymur Tkachenko, chefe da Administração Militar da Cidade de Kyiv, informou que foram registrados estragos em 30 locais pela cidade, predominantemente em edifícios residenciais e infraestrutura civil. O Ministro do Interior, Ihor Klymenko, adicionou que 20 edifícios residenciais foram afetados. Jornalistas no local descreveram cenas de devastação, como um prédio de apartamentos de nove andares parcialmente destruído, com equipes de emergência trabalhando incansavelmente na remoção de escombros em busca de sobreviventes.
Em resposta ao ataque, o Ministério da Defesa da Rússia alegou ter atingido “plantas militares-chave” em Kyiv, uma afirmação que Kiev refuta categoricamente. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, advertiu que a Rússia continuará a intensificar a pressão sobre o “regime de Kyiv” para alcançar seus objetivos. Esta declaração ocorre em meio a discussões na União Europeia sobre a imposição de novas sanções a Moscou em decorrência dos ataques.
Diante da escalada, o presidente Zelenskyy fez um apelo urgente a Washington por uma licença para fabricar mísseis Patriot, enfatizando a “necessidade absoluta” de suprimentos de defesa aérea para a Ucrânia. O Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, classificou a noite como de “horror” e pediu aos aliados que não atrasem as decisões sobre o fornecimento de sistemas de defesa aérea e mísseis, alertando que o número de mortos pode aumentar com a continuidade das operações de resgate.
Vitali Klitschko, prefeito de Kyiv, descreveu a investida como “o ataque mais massivo do inimigo”, confirmando danos em todos os distritos da cidade. Ele destacou a destruição significativa de um edifício residencial no distrito de Darnytskyi, onde uma parte do prédio foi literalmente arrancada, e equipes de busca e resgate estão procurando por pessoas sob os escombros, incluindo uma menina de 15 anos e sua família. Uma estação de ambulâncias também foi atingida, resultando em nove ambulâncias danificadas e seis funcionários feridos.
Este ataque se insere em um contexto de intensificação dos ataques russos a Kyiv nas últimas semanas, paralelamente à campanha de drones de longo alcance da Ucrânia contra instalações militares e energéticas russas, que tem causado escassez de combustível e interrupções nas linhas de suprimentos dentro da Rússia. Sybiha rejeitou qualquer tentativa russa de justificar os ataques como retaliação, afirmando que a Ucrânia está exercendo seu direito de autodefesa sob o Artigo 51 da Carta da ONU, enquanto a Rússia permanece como o agressor.
Fonte: *Google Trends*