Controvérsia no Financiamento de Filme sobre Bolsonaro

A cinebiografia de Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”, produzida com diretor e protagonista americanos, tem gerado repercussão não apenas pelo significado de seu título, que pode ser traduzido como “azarão”, mas também por uma recente controvérsia envolvendo seu financiamento. A expressão “azarão” reflete a sinopse do filme, que aborda a ascensão “improvável” de Bolsonaro e o atentado sofrido em 2018, servindo como base para investigar até onde “sistemas estabelecidos podem ir para se preservarem”, conforme o diretor Cyrus Nowrasteh.

A polêmica em torno do financiamento intensificou-se após a revelação de que o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria pressionado o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para auxiliar na produção do filme. Vorcaro, que atualmente se encontra preso em São Paulo sob a acusação de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras, que pode chegar a R$ 12 bilhões segundo a Polícia Federal, seria um dos financiadores da obra cinematográfica.

Informações divulgadas pelo Intercept Brasil, e confirmadas pela TV Globo junto a investigadores, detalham que Daniel Vorcaro teria desembolsado R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse” entre fevereiro e maio de 2025. Esse montante, segundo as apurações, teria sido transferido para um fundo nos Estados Unidos, supostamente ligado a um aliado de Eduardo Bolsonaro, outro filho do ex-presidente. A negociação envolveria contatos diretos e pressões por pagamentos do senador Flávio Bolsonaro, inclusive com o registro de um áudio enviado ao banqueiro em setembro de 2025.

Questionado por repórteres, Flávio Bolsonaro inicialmente se limitou a afirmar que se tratava de “dinheiro privado”. Posteriormente, divulgou um vídeo confirmando o pedido de dinheiro a Vorcaro, porém negou qualquer irregularidade na transação. O senador defendeu a realização de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o Banco Master, alegando não possuir “relações espúrias” com o banqueiro. As revelações trouxeram à tona a complexidade das relações entre figuras políticas e empresariais no contexto da produção cultural e do financiamento de projetos.

Fonte: Cultura e Arte – G1

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