O cenário político contemporâneo revela uma faceta preocupante de um setor da direita que, conforme a análise, “adoeceu e virou matilha”. Este fenômeno é alimentado por um “tumor” com um nome específico: o caráter corrompido pelo hábito. Aqueles que reiteradamente recorrem à falsidade perdem a capacidade de escolher a verdade, integrando a mentira como parte intrínseca de sua própria identidade. Consequentemente, defender-se da acusação de inverdade torna-se uma luta pela própria essência, uma defesa visceral não de uma tese, mas de uma obstinação arraigada.
A inconsistência se manifesta de múltiplas formas. Uma versão pode ser firmemente estabelecida em um mês, apenas para ser convenientemente esquecida no próximo, quando se volta contra um aliado. Avaliações financeiras de empresas podem oscilar drasticamente, de uma fortuna na segunda-feira para meros trocados na sexta-feira, tudo ditado pela conveniência do momento. Em uma única semana, podem ser apresentadas múltiplas explicações para o mesmo evento, sem que nenhuma delas precise ser verídica; a única exigência é que sejam úteis para a narrativa vigente. Neste contexto, o “logos”, a razão e a coerência, é substituído pela busca incessante por cliques, onde o escândalo de quinze em quinze minutos prevalece sobre qualquer princípio de lógica ou verdade.
Essa regressão à mentalidade de “matilha” representa um retrocesso significativo. Enquanto o indivíduo adulto e maduro delibera, pondera e assume a responsabilidade por seus atos, o membro da alcateia limita-se a latir e morder em uníssono, mudando de alvo na milésima de segundo em que o líder aponta a próxima vítima. Essa conduta remete a um estágio anterior à pólis, à formação da cidade-estado, e pré-logos, antes do desenvolvimento da capacidade humana de pensamento racional. A incapacidade de tolerar uma “régua única” – um padrão moral e ético consistente – é intrínseca a esse regime mental, pois a imparcialidade é um conceito alienígena dentro da dinâmica de uma alcateia.
Há, contudo, uma dimensão ainda mais sombria, que muitos relutam em confrontar: a questão transcende a militância e se torna, em essência, um negócio. O “grito” de indignação transforma-se em commodity, o escândalo em produto de prateleira cuidadosamente embalado, e o “exílio” em uma mera estratégia de otimização tributária. A revolta e a indignação são produzidas e monetizadas em uma moeda local, enquanto o aluguel de uma persona de martírio é pago em dólar, revelando uma fria mercantilização da paixão política.
Quando a doença política atinge um patamar industrial, a retórica moralizante e os sermões tornam-se ineficazes. A vergonha, enquanto catalisador de mudança, pressupõe uma alma íntegra, algo que, na “alma da matilha”, já se fragmentou em compartimentos estanques. Cada um desses compartimentos serve a um interesse particular, mas todos respondem a um único senhor: o bolso. Esta condição é descrita como um “câncer” que devora o tecido social saudável ao redor, contaminando o eleitor honesto e pulverizando a credibilidade do conservadorismo decente, corroendo as fundações da confiança pública.
Para essa patologia política, apenas duas terapias se mostram viáveis: a extirpação por meio da concorrência limpa e leal, ou a inexorável metástase que levará à morte do organismo inteiro. A “régua única”, o padrão de integridade e coerência, é o bisturi necessário para essa intervenção. Aqueles que se acovardam diante da tarefa de empunhá-la tornam-se cúmplices da necrose iminente. O desfecho dessa necrose não é uma mera retórica, mas uma projeção matemática: a “matilha” acabará por entregar a eleição de bandeja ao seu próprio algoz, e, paradoxalmente, ainda exigirá do eleitor honesto um “Pix” para financiar a derrota do ciclo político subsequente.
Fonte: NOTICIAS – Pleno News