Dólar cai a R$ 4,89, menor valor desde 2024

O dólar à vista encerrou as negociações desta sexta-feira (8) registrando uma queda significativa de 0,59%, fechando o pregão cotado a R$ 4,894. Este patamar marca a primeira vez que a moeda norte-americana atinge um valor abaixo de R$ 4,90 desde janeiro de 2024, quando a cotação mais baixa havia sido registrada em 12 de janeiro daquele ano, alcançando R$ 4,8539. A oscilação durante o dia variou entre R$ 4,89 e R$ 4,9147, refletindo a volatilidade do mercado.

No acumulado da semana, o dólar apresentou um recuo de 1,16% frente ao real, indicando uma tendência de desvalorização que se estende ao longo do ano. Desde o início de 2026, a moeda norte-americana já acumula uma desvalorização de 10,83%, um dado relevante para a economia nacional e para os investidores que acompanham de perto os movimentos cambiais.

O movimento de baixa observado nesta sexta-feira foi impulsionado, em grande parte, pelo enfraquecimento global da moeda americana. O dia foi marcado por um maior apetite por risco nos mercados internacionais, especialmente após a divulgação do payroll dos Estados Unidos, considerado o principal relatório de emprego do país, que surpreendeu positivamente o mercado.

Os dados do payroll revelaram a criação de 115 mil novas vagas de emprego em abril, um número que superou as expectativas do mercado, que projetava a abertura de 55 mil postos de trabalho. Embora a taxa de desemprego tenha permanecido em 4,3%, em linha com o esperado, o salário médio por hora avançou, ainda que ligeiramente abaixo das projeções iniciais. Essa leitura foi interpretada pelos investidores como um sinal de resiliência da economia americana, sem que houvesse uma pressão significativa sobre as apostas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed) em relação à política monetária.

A melhora no humor global, decorrente da percepção de estabilidade e força econômica nos EUA, favoreceu os ativos de maior risco e contribuiu para a pressão de queda sobre o dólar no exterior. O índice DXY, que acompanha o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de outras divisas fortes, recuava 0,17% no final da tarde, situando-se em 97,898 pontos.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a combinação de bolsas em alta e a queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano incentivou a busca por ativos de risco e moedas emergentes. Além do cenário global, o real brasileiro foi particularmente beneficiado por fatores internos e externos. Shahini destacou o elevado diferencial de juros no Brasil, o fluxo de capital para mercados emergentes e a melhora dos termos de troca, favorecida pela cotação do petróleo acima de US$ 100.

No mercado de juros, a curva de DI também operou em queda ao longo da sessão, acompanhando a desvalorização do dólar e dos yields das Treasuries americanas. A avaliação predominante entre os operadores foi que os dados do payroll, embora positivos, não alteram de forma substancial a trajetória esperada para os juros americanos, o que ajudou a reduzir a aversão a risco nos mercados globais e a consolidar a queda das taxas.

Fonte: NOTICIAS – SBT NEWS

Deixe um comentário