A influenciadora Gracyanne Barbosa causou comoção ao revelar, em entrevista recente, sua experiência com o medicamento Mounjaro. Segundo a musa fitness, a expectativa era perder 10 quilos para um determinado papel, mas o resultado alcançado foi a eliminação de ‘apenas 4 quilos’, culminando na perda da oportunidade profissional. Este episódio reacende um crucial debate sobre a indicação, a eficácia e, primordialmente, as expectativas geradas em torno dos tratamentos individualizados com as denominadas canetas emagrecedoras, que incluem Mounjaro, Wegovy e outras soluções disponíveis no mercado.
É imperativo esclarecer que a avaliação da pertinência do uso do Mounjaro pela influenciadora foge à capacidade de qualquer profissional médico que não tenha acesso direto ao seu histórico clínico. Para tal análise, seria indispensável uma consulta detalhada, o acesso a dados completos do paciente, seu histórico de saúde e, crucialmente, uma bioimpedância que revelasse seu percentual de gordura e composição corporal. A prática médica ética proíbe diagnósticos baseados em especulações, exigindo dados concretos para qualquer posicionamento.
Contudo, é fundamental analisar a perspectiva em jogo. Para uma parcela significativa da população brasileira, a perda de 4 quilos representa um avanço considerável e motivo de satisfação. A repercussão do caso de Gracyanne evidencia essa disparidade de expectativas: enquanto muitos almejam tal resultado, para ela, a marca de 4 quilos, diante de uma meta de 10 quilos, gerou profunda frustração. Profissionais da saúde, como o Dr. Noé Alvarenga, frequentemente observam perdas de 4 a 5 quilos por mês em seus consultórios, considerando este um resultado dentro da média e, para a maioria, digno de celebração, não de desapontamento.
A variabilidade individual na resposta aos medicamentos é um fator crucial. Enquanto alguns pacientes celebram a perda de 2 quilos, outros alcançam a impressionante marca de 12 quilos. No entanto, a métrica mais relevante transcende o simples número na balança: a questão central é se a perda de peso é saudável e, sobretudo, sustentável a médio e longo prazo. Este sucesso duradouro está intrinsecamente ligado à capacidade do paciente de aproveitar o período de tratamento medicamentoso para reestruturar seus hábitos, com especial ênfase na incorporação da atividade física à rotina diária. A satisfação com uma perda modesta de 2 quilos, por exemplo, é contextualizada pela compreensão de que o corpo, em condições de sobrepeso ou obesidade, tende metabolicamente ao ganho de peso. Assim, qualquer redução indica uma modificação positiva no organismo, um passo importante contra a “lei da vida” de engordar.
Outro ponto de destaque no relato de Gracyanne foi a menção de que o Mounjaro não eliminou sua fome, mesmo resultando na perda dos 4 quilos. Esta observação sublinha uma distinção fundamental: as canetas emagrecedoras atuais não são supressoras de apetite no sentido tradicional de “tirar a fome”. Sua ação principal é sacietógena, o que significa que promovem um aumento da sensação de saciedade. Na prática, isso implica que o indivíduo se sente satisfeito mais rapidamente após o consumo de alimentos, uma mecânica diferente dos antigos inibidores de fome. A fome é o impulso de buscar alimento; a saciedade é a plenitude sentida após comer. Portanto, a despeito da percepção de fome persistente, a perda de peso indica que o medicamento, de fato, agiu no organismo, ainda que a ação não tenha se alinhado completamente com as expectativas ou idealizações da usuária.
O caso de Gracyanne Barbosa, portanto, oferece valiosas lições sobre a complexa relação entre o peso corporal, as expectativas depositadas nos tratamentos e a função das modernas medicações antiobesidade. Conforme a sábia citação de um renomado professor, já falecido: “Remédio é para ser prescrito por quem sabe e usado por quem precisa.” Uma verdade simples, porém profunda. O Dr. Noé Alvarenga, médico nutrólogo no Rio de Janeiro, com expertise em obesidade, emagrecimento e longevidade, frequentemente aborda tais temas, pautando suas análises em evidências científicas atuais sobre metabolismo, GLP-1 e hábitos de vida saudáveis.
Fonte: NOTICIAS – Pleno News