O terceiro julgamento do ex-produtor de Hollywood Harvey Weinstein, em Nova York, sobre acusações de abuso sexual e estupro, terminou em anulação nesta sexta-feira (15). A decisão ocorreu após o júri não conseguir chegar a um veredicto unânime a respeito da acusação de que Weinstein teria estuprado a aspirante a atriz Jessica Mann. O caso representa mais um capítulo na complexa saga legal do cofundador da Miramax, cujas ações impulsionaram o movimento #MeToo global.
Weinstein, que atualmente tem 74 anos, foi uma figura proeminente na indústria cinematográfica, com grande poder e influência, até que uma série de acusações de má conduta sexual veio à tona, desencadeando sua queda e catalisando o movimento #MeToo. Este movimento social mais amplo encorajou mulheres a denunciarem publicamente abusos sexuais cometidos por homens em posições de poder, revelando uma cultura de impunidade que antes prevalecia em Hollywood e outras indústrias.
No decorrer do julgamento, Weinstein manteve sua declaração de inocência para a acusação de estupro em terceiro grau, negando ter agredido qualquer pessoa ou mantido relações sexuais sem consentimento. Seus advogados argumentaram que Jessica Mann teria inventado a acusação de estupro após se arrepender de que seu relacionamento consensual com o produtor não resultou no esperado avanço em sua carreira cinematográfica, buscando deslegitimar as alegações da vítima.
Este não é o primeiro revés legal para Weinstein em Nova York. Em seu julgamento inicial na cidade, em 2020, ele foi condenado por estuprar Mann e agredir a então assistente de produção Miriam Haley em 2006. Contudo, em uma decisão de alto impacto, a mais alta corte do estado anulou essa condenação, bem como a sentença de 23 anos de prisão, concluindo que ele não havia tido um julgamento justo devido à inclusão de testemunhos de atos não acusados.
Posteriormente, em um julgamento separado em Manhattan, realizado em junho de 2025, um novo júri condenou Weinstein por abuso sexual contra Miriam Haley. No entanto, o mesmo júri o considerou inocente da acusação de agressão contra a ex-modelo Kaja Sokola. A atual anulação diz respeito à acusação de estupro em terceiro grau envolvendo Jessica Mann, pela qual o júri ficou dividido, levando o juiz Curtis Farber a declarar o julgamento anulado neste ponto específico, marcando o início de um novo julgamento em abril.
Além dos processos em Nova York, Harvey Weinstein já foi condenado por estupro na Califórnia em 2022, onde atualmente cumpre uma pena de 16 anos de prisão. Ele está recorrendo ativamente dessa condenação e da respectiva sentença. O cofundador da Miramax ainda poderá enfrentar uma pena de até 25 anos de prisão quando for sentenciado pelo abuso contra Miriam Haley, adicionando outra camada de incerteza ao seu futuro legal.
Fonte: Cultura e Arte – G1