MC Ryan SP é Solto com Medidas Cautelares

A Justiça Federal concedeu habeas corpus e determinou a soltura do funkeiro MC Ryan SP, que estava preso preventivamente desde abril, no âmbito da Operação Narco Fluxo. A decisão, assinada pela desembargadora Louise Filgueiras do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), também beneficia Diogo Santos de Almeida e impõe uma série de medidas cautelares.

Entre as restrições impostas a MC Ryan SP, estão a proibição de deixar o país sem autorização judicial, a entrega do passaporte, a obrigação de comparecer a todos os atos do processo, informar eventual mudança de endereço e comparecer mensalmente em juízo. Ele também não poderá deixar a cidade onde mora por mais de cinco dias sem permissão judicial.

A Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em abril, investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, o grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de empresas de fachada, contas de passagem, criptomoedas e remessas ao exterior. O inquérito aponta ainda uma suposta ligação com exploração de apostas ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas.

A magistrada estendeu a MC Ryan SP os efeitos de outro habeas corpus já concedido pela 5ª Turma da corte a Henrique “Rato”, investigado no mesmo processo. Desembargadores apontaram excesso de prazo, argumentando que, mesmo considerando a complexidade do caso, os prazos do Código de Processo Penal para conclusão do inquérito e oferecimento de denúncia não estavam sendo respeitados. A decisão também enfatizou que a prisão cautelar não deve ser usada para facilitar investigações e que não havia provas concretas de que MC Ryan SP pudesse interferir na produção de provas, uma vez que equipamentos eletrônicos já haviam sido apreendidos.

MC Ryan SP, cujo nome de registro é Ryan Santana dos Santos, é apontado pela Polícia Federal como líder e principal beneficiário econômico da estrutura investigada. A PF afirma que ele utilizava empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais. As investigações indicam que o funkeiro teria montado mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias para familiares e terceiros e utilizando operadores financeiros para afastar o dinheiro ilícito de sua pessoa física antes de reinseri-lo na economia formal, com recursos sendo reinvestidos em bens de luxo.

A investigação atual teve início a partir da análise de arquivos armazenados no iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos durante operações anteriores (Narco Bet e Narco Vela). Esse material permitiu à PF mapear a organização criminosa, cruzando extratos, comprovantes, conversas, registros societários e documentos financeiros. Morgado é apontado como peça-chave, articulando transferências, auxiliando na proteção patrimonial de Ryan e realizando repasses em nome de terceiros.

Outros nomes de destaque na investigação incluem Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, vinculado a empresas e estruturas financeiras relacionadas à circulação de recursos de rifas digitais e apostas ilegais, e Raphael Sousa Oliveira, criador da página “Choquei”, apontado como operador de mídia da organização, responsável por divulgar conteúdos favoráveis e promover plataformas de apostas.

Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu carros de luxo, relógios, joias, armas, dinheiro em espécie e equipamentos eletrônicos. Um colar com a imagem de Pablo Escobar dentro do mapa de São Paulo foi encontrado na casa de MC Ryan SP. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores até R$ 1,63 bilhão, além do bloqueio de criptomoedas em diversas corretoras.

A defesa de MC Ryan SP, por meio de seu advogado Felipe Cassimiro, afirmou que a decisão reconhece a “ilegalidade das prisões” e que a consequência natural é a revogação da prisão. Já o advogado de MC Poze do Rodo, Fernando Henrique Cardoso Neves, criticou a condução do caso, alegando que o novo pedido da PF não apresentava fatos novos. A defesa de Raphael Sousa Oliveira, por sua vez, informou que recorrerá às instâncias superiores, argumentando falta de fundamentação individualizada na decisão de prisão preventiva.

Fonte: Cultura e Arte – G1

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