O aguardado retorno de “Star Wars” às telas de cinema após quase sete anos, com o filme “O Mandaloriano e Grogu”, chega com a promessa de expandir o universo da aclamada série. No entanto, a nova aventura espacial, que estreia nesta quinta-feira (21) no Brasil, não conseguiu atingir o patamar de um retorno triunfal, deixando uma impressão de que, embora “legal”, não entrega a grandiosidade esperada de uma franquia de tal magnitude, especialmente após o controverso “A Ascensão Skywalker” de 2019.
A crítica principal recai sobre a natureza do longa-metragem, que se assemelha mais a um episódio prolongado e com orçamento elevado da televisão do que a uma produção cinematográfica independente e impactante. Para muitos, a experiência de assistir ao filme gera a questão de por que não estariam desfrutando da mesma trama no conforto de suas casas, evidenciando uma desconexão com a experiência única que o cinema deveria proporcionar. O sucesso estrondoso da série “The Mandalorian”, impulsionado pela popularidade de “Baby Yoda” (Grogu), paradoxalmente, parece ter elevado a expectativa para algo que o filme não consegue replicar em termos de narrativa cinematográfica.
A ausência de elementos clássicos da saga, como sabres de luz, a presença marcante de Jedis ou vilões carismáticos e memoráveis, é um ponto de desapontamento significativo para os fãs da franquia cinematográfica. Os antagonistas apresentados em “O Mandaloriano e Grogu” falham em cativar a audiência, e a trama, de modo geral, é percebida como carente de grandes consequências. O filme parece operar com a cautela de não interferir drasticamente na continuidade da série, resultando em uma estagnação dos protagonistas, que terminam a jornada praticamente da mesma forma como a iniciaram, talvez apenas com uma nova nave.
Esta abordagem remete, infelizmente, à pior tradição dos animes com episódios “filler”, onde o enredo é vazio e desprovido de qualquer alteração substancial na continuidade seriada. É intrigante notar que o roteiro foi assinado pelos próprios criadores da série, Jon Favreau e Dave Filoni, o que levanta questões sobre a audácia criativa e o compromisso em elevar a narrativa para o formato cinematográfico. Se nem mesmo os idealizadores demonstram plena confiança em arriscar na obra, o engajamento do público se torna um desafio ainda maior.
Apesar das críticas à narrativa, alguns aspectos visuais, como a fotografia mais ousada em certas cenas e a melhoria em alguns efeitos especiais, são notáveis. Contudo, até mesmo nesse campo, há inconsistências, com uma cena envolvendo os AT-ATs no início do filme sendo comparada à qualidade de um videogame mediano na tela grande. Em suma, “O Mandaloriano e Grogu” não é um filme horrível, mas está longe de ser o retorno impactante e “suficiente” que “Star Wars” merecia para reacender sua chama nos cinemas, evidenciando que nem mesmo o carisma de Grogu é capaz de sustentar sozinho uma produção que carece de ambição cinematográfica.
Fonte: Cultura e Arte – G1