PF Investiga Compra de Triplex por Ciro Nogueira

A Polícia Federal (PF) deu início a uma investigação aprofundada sobre a aquisição de um triplex avaliado em R$ 22 milhões, localizado em uma área nobre da capital paulista, pelo senador Ciro Nogueira. O imóvel, com 514 metros quadrados, encontra-se atualmente em fase final de construção, conforme apurado pelas autoridades.

A transação imobiliária, realizada em julho de 2024, precede em apenas um mês a apresentação de uma emenda legislativa pelo próprio senador, que potencialmente beneficiaria o Banco Master. A proposta visava o aumento do limite do fundo garantidor de créditos, elevando-o de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Documentos da PF revelam que Daniel Vorcaro, banqueiro e proprietário do Master, teria afirmado que o texto da emenda “saiu exatamente como ele mandou”. Em sua defesa, o senador Ciro Nogueira, por meio de nota, declarou que o negócio foi conduzido integralmente pela CNLF, empresa de sua família, e atribuiu as informações divulgadas pela PF a uma “perseguição política em ano eleitoral”.

Quatro dias após a deflagração da operação, Ciro Nogueira realizou uma mudança significativa em sua equipe de defesa jurídica, substituindo seu advogado. Essa alteração acendeu um sinal de alerta em Brasília, gerando temores quanto ao que tem sido denominado como “efeito Vorcaro”. O termo faz referência à situação de Daniel Vorcaro, que, após trocar de advogados, teria iniciado negociações para um acordo de delação premiada. Apesar das especulações, pessoas próximas ao senador afirmam que ele nega qualquer intenção de buscar um acordo com a Polícia Federal.

Oficialmente, a substituição de Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, por Conrado Gontijo foi descrita como uma “decisão em comum acordo”. Gontijo é considerado próximo de Kakay e mantém bom trânsito com ministros do Supremo Tribunal Federal, o que pode indicar uma nova estratégia de defesa.

A troca de advogados assinala uma reorientação na condução do caso. Aliados de Ciro Nogueira relatam que o senador estaria se sentindo “acuado” diante do avanço das investigações da PF. De acordo com as apurações, o presidente do partido Progressistas é considerado o “destinatário central” de propinas que teriam sido pagas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo supostas mesadas que variariam entre 300 mil e meio milhão de reais mensais.

Fonte: BAND JORNALISMO

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