PF Pressiona Vorcaro por Detalhes em Delação

A Polícia Federal (PF) notificou os advogados de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, indicando que a delação premiada de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, está progredindo de forma significativa. Em um movimento que eleva a pressão sobre o banqueiro, a corporação alertou que, caso Vorcaro não forneça “detalhes, como nomes, datas e provas da participação de envolvidos no esquema”, a concessão do benefício para ele poderá ser desnecessária.

Investigadores concederam um prazo de dez dias para que novas informações, consideradas relevantes para a apuração, sejam apresentadas. Caso contrário, a segunda proposta de delação oferecida por Vorcaro será integralmente rejeitada. Se essa condição se concretizar, o caminho estará aberto para que o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), delibere sobre o pedido já protocolado pela PF para que Vorcaro deixe a sala de estado-maior na Superintendência e retorne ao presídio da Papuda.

A Operação Compliance Zero teve uma nova fase deflagrada recentemente, resultando na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em Brasília. A detenção, segundo a PF, baseou-se em informações preliminares fornecidas por Daniel Vorcaro, no âmbito de sua própria negociação de delação premiada que, até o momento, não foi finalizada. Vorcaro havia informado, entre outros detalhes, o repasse de seis imóveis a Costa, avaliados em aproximadamente R$ 150 milhões, como suposta contrapartida para facilitar fraudes financeiras.

Outro personagem-chave na investigação é Daniel Monteiro, advogado e controlador de diversos fundos. Ele é considerado de “importantíssimo” pelos agentes da PF, suspeito de utilizar esses fundos em operações de triangulação de recursos, visando dificultar o rastreamento do dinheiro e atuando como um dos operadores financeiros do esquema atribuído a Vorcaro. A quarta fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela PF, investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

Os crimes em apuração incluem corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa. Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, expedidos pelo STF, nas localidades do Distrito Federal e em São Paulo. Em novembro do ano anterior, durante a fase inicial da Operação Compliance Zero, Costa havia sido afastado de seu cargo no BRB. Em depoimento prestado em janeiro, o ex-presidente revelou detalhes cruciais sobre o problema de liquidez do Banco Master, confirmando que o travamento dos repasses ocorria em “todas” as modalidades de crédito, e não apenas nas carteiras de renda.

Essa declaração foi considerada vital pelos investigadores da Polícia Federal, pois aponta para uma incapacidade generalizada de pagamento por parte do Banco Master. Para o Banco Central, a abrangência do problema reforça a tese de que os ativos vendidos ao banco estatal — muitos deles classificados como “créditos podres” ou sem lastro — já não possuíam a capacidade de gerar a liquidez prometida. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que a falta de liquidez relatada por Paulo Henrique Costa seja o resultado direto de uma fraude estimada em R$ 12 bilhões, evidenciando a gravidade das irregularidades investigadas.

Fonte: BAND JORNALISMO

Deixe um comentário