O município de Sorriso, localizado no estado de Mato Grosso, reconhecido como o maior produtor individual de soja do Brasil, tem se consolidado como um marco exemplar na adoção de práticas de agricultura regenerativa. Em um período de uma década, a Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso) registrou uma notável expansão, elevando de nove para 54 o número de propriedades rurais que obtiveram a certificação internacional Round Table on Responsible Soy (RTRS).
Este significativo avanço não se traduz apenas em um reconhecimento ambiental, mas também em substanciais ganhos econômicos para os agricultores. Ao longo do período analisado, os produtores associados receberam mais de R$ 11 milhões em bonificações, um prêmio financeiro concedido pela comercialização do grão certificado que atesta a viabilidade econômica das práticas sustentáveis no setor.
Conforme a coordenadora da CAT Sorriso, Cristina Delicato, a associação foi fundada há 23 anos por um grupo de produtores visionários, com a missão de promover uma produção que conciliasse responsabilidade ambiental, social e econômica. A seriedade e o comprometimento do grupo foram oficialmente reconhecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) como um modelo de implementação de boas práticas agrícolas no país.
Os impactos decorrentes das metodologias adotadas são, segundo Delicato, ‘concretos e mensuráveis’. Ela detalha: ‘Na prática, isso se reflete na melhoria da saúde do solo, em uma maior capacidade de retenção de água, na redução da erosão e no uso mais eficiente dos insumos agrícolas. Tais práticas estão diretamente ligadas à mitigação das mudanças climáticas, uma vez que solos bem manejados são eficazes no sequestro de carbono, conferindo ao sistema produtivo uma resiliência significativamente maior frente aos desafios ambientais e climáticos.’
A certificação Round Table on Responsible Soy (RTRS) representa um padrão de reconhecimento global que assegura que a soja é produzida de forma ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável. Cristina Delicato destaca os rigorosos critérios para a participação: ‘Os requisitos incluem o estrito cumprimento da legislação ambiental vigente, a proteção de áreas de sensibilidade ecológica, a garantia de boas condições de trabalho para todos os envolvidos na cadeia produtiva, o uso responsável de insumos e a total rastreabilidade do produto.’ Para garantir a máxima integridade e credibilidade junto ao mercado internacional, o processo de certificação é submetido a auditorias minuciosas realizadas por entidades independentes.
É importante salientar que a bonificação recebida pelos produtores não provém de subsídios públicos, mas sim de um prêmio concedido diretamente pela indústria compradora, que remunera adicionalmente a soja que ostenta o selo de certificação RTRS. Os R$ 11 milhões já distribuídos aos associados na região de Sorriso, em Mato Grosso, constituem uma prova incontestável, conforme a entidade, de que a sustentabilidade pode e deve gerar um retorno econômico direto e tangível para o produtor rural, desmistificando a percepção de que a responsabilidade ambiental é apenas um custo.
Interessados em obter mais informações detalhadas sobre as iniciativas e os resultados da CAT Sorriso são convidados a entrar em contato com a associação por meio do e-mail catsorriso.org.br ou pelo telefone (66) 3544-3379.
Fonte: [NOTICIAS] CANAL RURAL



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